Sou um trabalhador de escritório que escreve contos sobre trabalhadores de escritório que largam o trabalho enfadonho e se mandam nas mais loucas aventuras. Exponho em meus textos tudo aquilo que, de alguma maneira, tenho vontade de fazer, mas me falta coragem. Eu nunca quis trabalhar em um escritório, e eu não trabalho em um, eu não trabalho em lugar nenhum. A parte isso, sonho o pesadelo de ser um trabalhador de escritório, em uma atmosfera kafkiana, inescapável e eternamente sufocante. Quem sabe assim, reduzindo minha existência a um personagem inseto de valor duvidoso, e revoltando ele contra o sistema anti-revolucionário (na verdade aRevolucionário), crio um novo brilho em minha própria existência, nem tão ruim, nem tão excitante.
Larguei o emprego de trabalhador de escritório de fritar hambúrgueres num fast-food pirata comprei um carro velho e fui desbravar os vilarejos mais distantes da américa latina. Aluguei uma casinha na praia e botei meu laptop de frente pro Pacífico. Com serenidade no coração, pude enfim escrever sossegado sobre o esmagamento do individuo pela civilização contemporânea.
Como escrever esses contos de merda não dá mais dinheiro (a menos que você dê, ou coma, a bunda de algum figurão da mídia), tive que virar ajudante de pescador, pra poder continuar alugando a casinha e pagando a energia elétrica pra recarregar esse computador. Mas como nessa época não se pesca quase nada por esses mares, a gente tem que trabalhar dobrado pra ganhar metade do salário. Apesar do ar cristalino que respiro por aqui, nunca deixo de sonhar com um manjar com um hamburger oleoso.
E como nunca fui bom em escrever essas merdas bucólicas, estou pensando seriamente em voltar pra civilização, me lembrar como me sinto enquanto estou sendo esmagado e escrever sempre sobre a mesma coisa.
A filha do pescador tem 19 anos, uma bunda impecável e um sorriso que nunca para de me chamar. Não da pra escrever, nem pra admirar o sol ou o mar, enquanto ela põe a roupa no varal com o traseiro empinado. Apesar da grande vontade (aparentemente mútua), tenho um vago medo de ser linchado ou castrado se comer essa delícia. No fim, não sou nada além de covarde.
Larguei o emprego de trabalhador de escritório de fritar hambúrgueres num fast-food pirata comprei um carro velho e fui desbravar os vilarejos mais distantes da américa latina. Aluguei uma casinha na praia e botei meu laptop de frente pro Pacífico. Com serenidade no coração, pude enfim escrever sossegado sobre o esmagamento do individuo pela civilização contemporânea.
Como escrever esses contos de merda não dá mais dinheiro (a menos que você dê, ou coma, a bunda de algum figurão da mídia), tive que virar ajudante de pescador, pra poder continuar alugando a casinha e pagando a energia elétrica pra recarregar esse computador. Mas como nessa época não se pesca quase nada por esses mares, a gente tem que trabalhar dobrado pra ganhar metade do salário. Apesar do ar cristalino que respiro por aqui, nunca deixo de sonhar com um manjar com um hamburger oleoso.
E como nunca fui bom em escrever essas merdas bucólicas, estou pensando seriamente em voltar pra civilização, me lembrar como me sinto enquanto estou sendo esmagado e escrever sempre sobre a mesma coisa.
A filha do pescador tem 19 anos, uma bunda impecável e um sorriso que nunca para de me chamar. Não da pra escrever, nem pra admirar o sol ou o mar, enquanto ela põe a roupa no varal com o traseiro empinado. Apesar da grande vontade (aparentemente mútua), tenho um vago medo de ser linchado ou castrado se comer essa delícia. No fim, não sou nada além de covarde.